Beleza x Saúde
Todo mundo quer ter um corpo bonito. Fato. Por menos vaidosa que a pessoa seja, não há ninguém em todo o mundo que rejeitaria uma aparência repleta de beleza sem nenhum esforço. Todos buscam – uns mais, outros menos – uma maneira de se tornarem mais atraentes, de maneira a darem uma levantada na autoestima. Porém, nesse desejo por beleza, muitos acabam ultrapassando a barreira do bom senso, inclusive quebrando os limites aceitáveis pela própria saúde. Afinal, até que ponto a gana por beleza deve ser alimentada, enquanto a saúde é negligenciada?
Não faltam no mercado de beleza pílulas e remédios que ajudam a emagrecer. Muitos deles, como os remédios à base de anfetaminas ou sibutramina, diminuem o apetite, aumentam e prolongam a sensação de saciedade, aceleram o funcionamento do corpo todo alterando o funcionamento de diversos químicos no sistema nervoso central, tudo isso para que uma pessoa consiga perder a barriga e ficar mais esbelta em menos tempo. Não por ser a única maneira de se conseguir isso, apenas pra acelerar o processo. Porém, junto com todas as vantagens dessas pílulas milagrosas vêm todos os efeitos colaterais que um remédio tão forte sempre traz ao organismo: taquicardia, palpitações, fortes dores de cabeça, náuseas, cólicas, insônia e uma série de outros incômodos, maiores ou menores. Sintomas os quais todo mundo busca, todos os dias, evitar. Mas, em nome da beleza, são capazes de aceitá-los e conviver com eles, tudo em nome da silhueta perfeita.
Grande parte desse desespero por corpos e rostos perfeitos deve-se à mídia e ao mercado publicitário. Todos os dias milhares de mensagens são expostos para todo o mundo, mostrando exemplos de beleza praticamente inatingíveis por pessoas que não podem se dedicar única e exclusivamente ao seu corpo. São profissionais da beleza, modelos, pessoas que tem a beleza como ofício. Mas, diversos receptores dessas mensagens não enxergam a coisa dessa forma e buscam incessantemente atingir aquela marca. Como se alguém gastasse grande parte do seu dinheiro comprando produtos que o fariam jogar futebol tão bem quanto Pelé. É impossível, fantasioso e, simplesmente, não é assim que funciona. Será que o mundo seria um lugar melhor se a mídia e a publicidade explorassem valores e exemplos morais ao invés de modelos de beleza?
Mas a indústria da beleza pouco se importa. Segue inovando hoje e sempre, com produtos revolucionários que fazem as mesmas coisas que seus antecessores, mas com um rótulo novo e um princípio ativo que ninguém nunca ouviu falar, mas é o melhor que tem. Enquanto isso grande parte do mundo escolhe negligenciar a saúde em nome da própria beleza, o que é uma pena. O poeta pode bem ter dito que beleza é fundamental, mas a saúde deve vir sempre em primeiro lugar.
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